segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

telegramas ao senhor Faudier

segunda-feira, durante um banho de piscina

no total:
três dedos cortados, língua, mão, queimação coletiva.

as pós-graduações em embalagens à váculo estão em processo de término graçasadeus.

os corredores, com sorte e muito lixamento, darão em ótimas vigas ainda no final de dezembro.

o aniversário se aproxima e as marcas de nascença já começam a maquiar-se e comprar roupas novas.

regime em: peixe-boi pensamento, preocupação estora balão, cala boca quebra dente.

o francês parou em Akerman. O gravador registrou o estrago da chuva. Chico Alvim, o livro, perdeu o título no temporal passeata.

sonho em tcheco para reconhecer a família, mas no real, todas letras lusitanas. culpar os parentes por não ensinarem a ciranda.

faço entrevistas para órgão essencial. Festas silenciosas dançam por tremores. visto com nudez qualquer anúncio de freeway para sucesso. congelam. morrem de frio.

em frente ao parque da harmonia, penso em Lytoard. Pra quê. As caminhadas ainda tão rente ao chão, não levam a nada. Piva fala de seu céu que desaba. Penso em consertos de telhado que não são de minha alçada. Toco o pífano como espremedor de cavernas para adubos que valham a pesquisa

ultimamente, ando tentando fazer contato com as páginas amarelas. não reconheço uma jujuba daquele gosto de antigas facinações. o berço virou grande. pra tudo que perguntam digo que é culpa da barba por fazer. "mas não tem barba", então não tenho o que fazer.

não conquistei nenhum marujo. o volante descobre sozinho a cintura da cidade. erro as ruas como errava os anos de minha irmã. de propóstio. saber faz a gente ter bengala.

abro um novo verbo toda vez que me são inúteis os tatos. verso mais uma guerra com tesoura de criança só para ter a presença de aliados. a febre é enferrujar depois de chover tanto medo. calculo mais um mês de cama enquanto tapo os ferimentos com bandeirinhas de países diferentes. creio que falsifiquei as dobras da testa e agora não me entendo nem com o gato morto-de-fome.

a grande descoberta das índias é:

não é possível abanar adeus com os punhos cerrados.

monsieur Faudier, troquei as mensagens pelas
luvas de boxe

mas garanto que danço só para desviar.
(já que é a únia caligrafia que vem com
a embalagem)
escute e sente-se.
sim, claro que sente-se ridícula
roupas de lã em cume de verão
sete sacolas que rasgam
para perder (sem querer)
a frustação e suas panelas.

e ainda rota trumbica, giroscópio
para moscas, oxigênio
para as trombas cumpridas.
é preciso molhar os navios
para que não enferrugem.
mandar mensagem para
as bocas pelos guardanapos.

faz três dias que não saio
debaixo dessa árvore
(e olha que aqui não
há árvores)

as bolsas arrebentadas
me ensinam a me carregar.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

para Wislawa
farelos de fumaça
ajudam os abajures
a terem no que refletir
estamos exatas agora
minha senhora?

a guerra ocupou
todos os guichês das memórias
os aeroportos do leste europeu
não causaram nenhum espanto
que mudasse as feições do esperado.

mas precisamos é de ar.
a terra é apenas para os imóveis.
chaminés de percepção
denunciam carvões de olhos.
a poesia é o relevo
que resiste a borracha.

coloco todos meus amigos na mesma carta.
lixo os triângulos para não ter que decidir.
visitará meu quarto?

com um podpiwek e receitas de plantar lãs
para manter as ovelhas.

um calibre de cratera para acertar as moscas
boias para sobreviver a rotinas com repuxo.

aqui o Danúbio congelou e a Hungria pode muito bem
chegar à pé a Romênia.
haja pulmões. Eu, por exemplo, treino
respirando sufocos em letras polonesas.

vá com as nebulosas, wislawa.
e leve meias grossas para saberem de onde veio.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Lorca e os gatos

Federico
Dei o seu nome ao meu gato
E o grito em dois momentos

1) Os que me medo de ficar só
2) Os que quero assustadoramente ficar só

Portanto nos dias que estou em casa
A probabilidade de chamar pelo seu nome
É de 90 por cento para cima
A mesma das vogais aparecerem
durante a duração de um susto

é verdade sobre a água
que "coloca moluscos e flautas
em nossos ouvidos" e sobre
sua relação com os olhos
que coloca óculos para ver
mais de dentro

Cabral me contou tudo
sobre Guillén e você
o resto veio do galego
que não domino mas
arrisco ler as palmas das páginas

pena que nasci na época aqui.
ontem era mamãe, a falar
que nunca poderia ter uma caravela.
hoje os amigos, que nunca terei
meu rosto em um selo de carta.

(embora sele muitos rostos por aí,
a maioria com mensagens trocadas)

silêncio, dez por cento.
o gato sobe o andar e sai pela sacada.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Contrastes são leis do tempo
Do pequeno dicionário jurídico
De gravidades sem apoio das voltas do solar

Sinalizam a insistente busca pelos poços
Uma costela magra que resplandece
Olhos gruas que se exploram
Pele de rosto que geme pra dentro

A incidência mais clara da nudez idade
Um mapa que de usado
Apaga-se nas dobras
Informa esquecimentos

Incineram-se os cânticos dos avós
A realidade simulou uma lomba de granito
E cada dúvida é uma pedra que resbala
Na hora do apoio

A velhice estendeu as expectativas
No arame farpado
Visto roupas que não são da minha idade

Os objetos me desusam
procuro machucados para poder me espiar melhor
troquei os galos pelos sonhos
durmo mais e assim já treino um pouquinho

sábado, 28 de janeiro de 2012

Roubo a nudez dos pássaros
E de repente,
Reclama da sujeira nova
As penas a repousar em chão,
O trabalho de se acostumar.
Só o atraso sabe a hora certa.
Me deixe paciente aqui.
Simular a voltagem, sem tensão.
A tarde inclinar-se nos lábios
Decorar as minhas fraquezas.
Amanhã a terra treme e nos
Expulsa. Você vai pra São Tomé,
Eu retorno para as falsas sirenes.
Te dou a minha cota de estradas
Para que você sempre volte para si.
Um homem se recolhe, abraça
os joelhos com a pele de leite
no centro da sala. os olhos
tem para mergulhar, limpar
o aquário limbo de dentro.

Falsa entrevista para falso programa em veículo quebrado

Apontam para uma cadeira. Poltrona de analista, corpo de cobra, silhueta de moça desejável. A mulher devagar protegendo as meia-calças de um rasgo, se dirige ao objeto. Senta-se lentamente. Possui: olheiras de extração em poço profundo, cardumes de peixes nos olhos em migração de fecundação, pele que engana a idade para os alpinistas das bochechas. Um carimbo de selo escandinavo mais filosofia de trincheira alemã. O gosto do café nas feições. A apresentadora fala seu nome. Diz que é um prazer mas não geme, nem cochicha sacanagem. Começam as atividades.

Apresentadora
Em uma entrevista recente, você disse que escrever é uma forma de oxigenar as paisagens e livrar um pouco o trabalho das árvores. O que você quis dizer com isso?

Entrevistada
Eu teria que escrever para responder essa pergunta (coloca a mão na gola, procurando uma ventilação)

Apresentadora
Alguns críticos taxam seu trabalho de inútil pedreiras e descartável para os livros escolares. Como você se sente?

Entrevistada
O primeiro poema que pensei em escrever , a crítica batucou a atmosfera da sala em tom de marcha de funeral. Ao críticos que mais gosto morreram de vida e de lá só dizem coisas boas, como o prazer do silêncio que emudece e como misturar concreto com verbo e tatuar as estátuas.

Apresentadora
A poesia vascular, como você chama, já chamou a atenção de alguns grandes autores como Francesco Corredor e Lácio Falcão. É preciso criar um corpo e retirar suas funções para que alguém respire sem aparelhos do outro lado, o lado da leitura. Depois da Poesia Disco Alvo, Poesia Gigafera e a Poesia de Mangue Esmeralda você acha que finalmente conseguiu emplacar com esse novo movimento?

Entrevistada
É claro que há os enfeites de saliva e as placas sem luz. Disco uma sequência de números toda vez em que o telefone me exige palavras com alguém, uma rotina que a atrite e tendinite gostam e aplaudem. Se eu tivesse duas razões para pegar uma janganda, me atiraria ao mar para salvar as razões. A poesia é a contabilidade da vida, o acerto que se faz, as ranhuras no óculos escuros. Um sexo silencioso que carcareja para adotar filhos e engravidar lugares vazios. Acho que o resto é questão de vassoura. Mas os pedaços que caem e descolam de uma atenção desnutrida, o rim convulsionando na calçada da lanchonete, alguém tem que busca para salvar. Guardo a coragem para tempos difíceis nos tapetes e nos telhados. As imagens das palavras estão cheias de botox, péssima maquiagem. É preciso desconfiar as paredes. Desiquilibrar o e pedaço de chão. Isso é um movimento, já a coreografia é reportagem. Poesia é coisa que pisca e não se enxerga.

Para finalizar gostaria de agradecer a vocês que nunca passarão esse programa. Não gostaria que as pessoas pensem que escrevo por um motivo. Nunca criei nenhum poema, apenas casei com os momentos que abortei e meus filhos riem da mãe a escravizando para terem mais motivos para se divertirem. Roubei meus próprios bolsos e farejo deslocamentos de ar para o fôlego.

Apresentadora
Fiquem agora com o esquecimento e boa noite para quem acredita em finais.