quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

As letras do M

após o baque panahi/kiarostami
1.
A revolução é ofício dos planetas.
Aqui o sol tapa o que já é calor. Vigia.
Imagens se distraem
Pousam em impossibilidades.
Abastece-se o espaço em
Nossa presença. Também
Somos vitimas do pó,
Nos deram paredes.
Nos deram jóias.
Também somos vítimas
Do peso da inércia.
As outras mulheres nas janelas
concordam. As fechaduras e
as portas vieram com os homens.
Eis o resto.

2.
Os olhos abertos
Para costura.
Cultivamos o jardim
Que se enterra.
Sua pálpebra fecha
A cortina do dia.
Sua mão coreografa
As durações.
O acontecimento
Está dentro. Engolido
Pela Não saída.
Os objetos nos contam
Como passam o tempo.
Imitamos as mesas,
Os armários. A tristeza
De uma cadeira que sobra.
Proibiram a nós as palavras.
Resta o grito.
Porém todas as palavras
Deles são feitas
Pelo grito.
O vidro nos explica
O silêncio.

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