sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

pizarnik passou por aqui

1.
Pizarnik passou por aqui.
Mediu os cintos novamente.
Avisou: sobra lugar, vem?
Revirei as justificativas
Acossei os arbustos das vistas
E vítima de tiro no treino
Calei-me na hora de um instante.
Mas ela tem olhos grandes
São como lentes
Para gente portadora
dos desvios do tato.

Alejandra, alejandra
Conte cincos infinitamente

Depois me procure acesa
No escuro do trapiche da noite.

Se caí é porque tropecei
Se atravessei é porque caí errado.

No seu tempo as orações eram vesgas
E o frio europeu tinha primos nas flechas

Mas aqui o equilíbrio se dilata
Quando ganhamos galhos pelo vento

O gelado que sobra
Obriga a usar a cortina como coberta
e pior que a luz
são as pessoas que não permitem a mim
o esquecimento.

(além disso deixei os cachecóis
no forno do verão, cada poema
em cada casa que consolei

e nem vamos a hablar de mi espanõl)

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